Shakespeare escreveu: “ Beijos não são promessas, presentes não são contratos, não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam e não interessa em quantos pedaços o teu coração se tenha partido, o mundo não pára para que tu o repares.”Aprende-se e cresce-se muito mais na dor do que na alegria. Quando estamos alegres, não direi felizes, porque como um amigo uma vez me disse, nunca ninguém é completamente feliz. Às vezes estamos optimistas, diria. Outras (se calhar a maioria) pessimistas e tristes com tudo e com todos. A felicidade não existe, existem momentos felizes que ficam sempre guardados na memória e no coração. Também dizem que o tempo apaga tudo. Mas eu não concordo, porque tudo o que é verdadeiro, fica para sempre. Aprendi há algum tempo que na tristeza, tenho sempre um melhor amigo, alguém que me recebe sempre com alegria e que fica sempre comigo. Que sente quando estou triste, sem eu ter de lho dizer, e que nesses momentos vem para junto de mim e pousa a sua cabeça nos meus joelhos, olhando com o dócil olhar que só um cão pode ter. O meu é um lindo retrevier do labrador, com 30 kg de peso e toneladas de meiguice. Aprendi que o ser humano é todo igual e tem as mesmas necessidades. O que muda é a forma como expressamos a vontade e os sentimentos, como expressamos a vida, a alma e nessa forma de existirmos, somos seres únicos e insubstituíveis e diferentes de todos os outros. Nunca devemos prometer o que não podemos cumprir e só devemos dizer aquilo que realmente sentimos. Há sentimentos que escondemos, numa tentativa vã de nos enganarmos a nós mesmos. Onde estão aqueles que pensamos esquecidos, os que se guardam num canto escondido do coração. E que não nos atrevemos a abrir. Ou a questionar. Às vezes penso que o silêncio diz mais do que muitas palavras, e que não precisamos de dizer o que é evidente. Mas porque será que se sente aquela necessidade urgente de nos expressarmos, com medo que os outros não saibam o que vai cá dentro? O mesmo amigo falou-me de uma história de Neruda que fala sobre dois amigos que estão todos os dias no mesmo bar, não para conversarem, mas para sentirem a presença um do outro, sem ser preciso palavras. E por vezes, quando (não) falamos, lembro-me sempre da história de Neruda – não é preciso palavras porque tu estás aí, e isso basta.Muitas vezes é preciso abdicar do que julgamos ser importante, simplesmente porque algumas coisas não são tão importantes quanto pensamos. Devemos sempre sonhar, acreditar e ter força para mudar, para não afastarmos aqueles que são especiais do nosso caminho. Sonhar apesar das desilusões, caminhar apesar dos obstáculos, lutar apesar das barreiras, acreditar, acima de tudo. A humildade, sinceridade e a bondade são qualidades difíceis de encontrar. Agradeço às pessoas que são assim na minha vida, e mesmo que eu esteja distante de uma delas, em especial, nunca a esquecerei. E acredito que o acaso não existe, tudo tem uma razão de ser. Por mais estranho que nos pareça.Devemos sempre respeitar os sentimentos e decisões dos outros, mesmo que isso implique um afastamento. A vida é feita de ciclos – que têm um princípio e um fim. Nunca estamos certos o suficiente para pensarmos que nunca mudaremos de opinião. O que é hoje, pode não ser amanhã. E o amanhã pode não chegar.O tempo e as regras não existem… somos nós que os fazemos. E as lágrimas mais importantes não são as que derramam os nossos olhos, mas aquelas que saem do coração. Aquelas que calamos no silêncio de um olhar cheio de lágrimas ocultas. Quando não podemos mudar o que pensamos estar errado. Quando contemplamos impotentes a dor, a perda, o desamor.Aprendi a perceber que a maioria das vezes estamos errados…