Arquivos Diários: Outubro 29th, 2007

As pessoas gostam de saber a verdade, mas não sabem muito bem como a enfrentar. Será porque magoa assim…muito? Será porque nos sentimos, digamos…um pouco melhor, por alguém, teoricamente, não nos esconder mais nada? Quando essa verdade não nos convém, mas mesmo assim insistimos espontaneamente em querer saber, sendo duros para nós próprios… pois claro, precisamos ou pensamos que precisamos de saber tudo acerca de determinada coisa. Às vezes temos até uma ideia, uma leve suspeita do que nos vai ser dito, um caricato pressentimento que algo não está a correr como queríamos. Mas ainda assim… temos de saber. O que pedimos por vezes conduz-nos ao que não queremos ouvir. Não… nem pensar, não pode ser.Mas o mais estranho é que é mesmo. Ou talvez não. Nós é que pensávamos que não podia ser. E depois ouvimos, lemos, sentimos aquilo que era suposto não acontecer na nossa imensa imaginação.  E a nossa reacção é quase sempre a mesma: Eu já sabia! O que é uma força de expressão, porque não sabíamos nada, nada de nada. Eu já sabia, é que era o meu pior pesadelo… isto é o que as pessoas querem dizer quando dizem: eu já sabia. Ou então um atónito: “não posso acreditar!”, claro que se pode acreditar, ou melhor deve-se acreditar. Ou será que nos querem confundir? E pronto aquilo que ambicionávamos saber está escarrapachado á nossa frente. Sim… depois já podemos respirar, só um bocadinho, porque depois temos muito por onde escolher: apatia, lágrimas, desespero, descontrolo, raiva e finalmente resignação. E depois, não nos lembramos de nada para contrapor a verdade e nada nos faz lembrar porque ambicionávamos tanto conhece-la.  Mas então? Não era isso que queríamos saber? A verdade. Exposta e rude, como ela é, sem enfeites, sem uma fitinha vermelha em papel resplandecente. Afinal foi o que pedimos. E diz-se por aí que cada um tem aquilo que merece… mas eu tenho a certeza que não.  Mesmo que doa muito, que nos faça chorar baba e ranho e que pensemos que o mundo acabou… porque não era o que queríamos ouvir. O mundo não acaba, por uma verdade singular. Olha… toma, embrulha, é para aprenderes, para a próxima não cais no mesmo, mas é óbvio, certo que irás cair… porque a verdade é sempre a que queremos ouvir, enfeitada como uma prenda de Natal… que ainda está para vir.  Não devia ser olho por olho, dente por dente, pão pão, queijo queijo, toma lá dá cá, tudo tem um preço e tudo se paga?Pois… mas a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima, já dizia a minha avó.  E mais vale uma vil verdade do que uma mentira escondida.

Paciência é algo que raramente temos, mesmo que sejamos daquelas pessoas que poderiam esperar uma eternidade até que alguém chegasse, sem um bocejo ou sem uma mudança completa de rosto sereno para um mais inquieto.Há coisas que nos irritam, nos tiram completamente do sério (?) (esta expressão intriga-me um bocado, porque tirar do sério, era suposto ser ficar mais alegre, mas está bem), sim, aquelas coisas mundanas como por exemplo: vai dar o novo episódio do Dr. House…mas ó pá, porque é que tinha de falhar a luz, mesmo agora??? Tenho de admitir que é um pouco desconcertante, até porque paro tudo para ver o Dr. House.  Mas falar de paciência leva-me a pensar em algo mais profundo, porque esta está directamente relacionada com o tempo que dispomos, ou nos prestamos a dispor para determinada coisa. Por exemplo, não temos paciência para parar e pensarmos, reflectir um pouco e quem sabe reinventarmo-nos dentro de nós mesmos. Até porque a falta de paciência leva-nos quase sempre a tomar atitudes que preferíamos não ter tomado. A dizer palavras que não queríamos ter dito. Dentro desta grande correria que são os dias, ter paciência para esperar, para perdoar, para meditar e para sonhar, é uma virtude que raramente encontramos.Honestidade é outra coisa ainda mais rara. Claro que falo daquela intrínseca a apenas alguns. As crianças são quase sempre honestas na sua inocência. Mas a honestidade é algo um pouco mais complexo, quando se trata de sermos honestos com os outros, e algo difícil quando se trata de sermos honestos com nós próprios. Por vezes não dizemos alguma coisa para não magoar alguém, e não me refiro a coisas sem importância, como dizermos que gostamos muito de uma prenda, quando na verdade a detestamos. Falo de não sermos honestos com os outros, nem o sermos com nós mesmos antes de tudo. Porque há coisas que não temos coragem de fazer, dizer e assumir. Só raramente… muito raramente.