
Todos os portugueses sabem que a nossa língua é muito traiçoeira. E se algum estrangeiro tentar traduzir algumas expressões ditas por cá, fica no mínimo, espantado.
A língua portuguesa é muito rica em expressões que não são compreendidas pelo comum dos mortais, nem mesmo por alguns portugueses. Estes dizeres devem ter um significado directo. Mas dizemo-los, sem fazermos ideia do seu porquê ou do seu significado, em nome da tradição, ou da repetição… porque certamente já o ouvimos em algum lado.
Vejamos:
“Querias… batatas com enguias!” – Batatas com enguias? Será um gosto gastronómico duvidoso? Era algo que numa qualquer altura e num lugar qualquer era bom? Mau?
“Ficaste com a pulga atrás da orelha.” - Claro que não está lá nenhum bichinho. Ficamos a pensar que algo não está bem. Temos dúvidas.
“Fizeste uma tempestade num copo de água” – não são ondas assustadoras num recipiente de vidro. Pensaste o pior, chateaste-te com pouco.
“Meteste os pés pelas mãos” – Não é ginástica, não senhor. É mesmo atrapalhação.
“Fizeste um negócio da China” – Da China? Será porque eles por lá são bons a fazer negócios? Deve ser… não vejo outra explicação.
“Está de pés para a cova” – Esta tem lógica. Cova, buraco, enterro, morte. Estar a morrer.
“Vai desta para melhor” – Significa o mesmo que a anterior, com outra genial ironia.
“Estás à espera da mulher da fava-rica?” – Mas “que raio” será ficar á espera desta misteriosa senhora? Será que era agricultora e plantava favas? Que eram ricas? Já agora “vai á fava” é mandar alguém “dar uma volta ao bilhar grande”. Percebem?
“Estás à espera da morte da bezerra?” – é como esperar, como desculpa para não fazer nada. Mas… a morte do animalzinho, coitado.
“Nasceste com o rabo virado para a lua!” - Como é que é? Porque “carga de água” há-de um rabo virado para a lua significar sorte? Mistério…
“Hoje acordaste com os pés de fora.” – Apanhaste frio nos pés, logo estás mal disposto. Será?
“Estou-me nas tintas!” – O que será isto? Estar nas tintas? Não compreendo porque significa ser indiferente, não querer saber.
“Vai pentear macacos.” – Hahahaha…. esta é boa. Vai fazer qualquer coisa?
“Vai á caça dos gambuzinos.” – Se calhar estou a constatar a minha ignorância quando pergunto a mim mesma: isso existe?
Estas são apenas algumas expressões de que me lembro. E sei que cada cultura, cada país, deve ter as suas. As nossas são irónicas e interessantes.
Aqui ficam como curiosidade.