Arquivos Mensais: Fevereiro 2008

Have no fear
For when I’m alone
I’ll be better off than I was before

I’ve got this light
I’ll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel…
I’m falling…I am falling
The lights go out
Let me feel
I’m falling
I am falling safely to the ground
Ah…

I’ll take this soul that’s inside me now
Like a brand new friend
I’ll forever know

I’ve got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel…
I’m falling…I am falling
The lights go out
Let me feel
I’m falling
I am falling safely to the ground…

Eddie Vedder

 

São nove horas de uma manhã morna de Fevereiro. Bebo o café mais lentamente que o costume. Hoje tenho tempo.

Acordei e devo ter tido um qualquer pesadelo, porque não me lembro de sonhar.

Preparo-me para sair, acabo de calçar os ténis e o meu lindo labrador vai ladrando de contente, porque percebe que vai sair.

Ponho os auscultadores do meu mp3 nos ouvidos e play… nada melhor que começar o dia a ouvir a minha voz preferida de todas as bandas. Aprecio o sol e descubro a luz ainda matinal entre as árvores. Pois, hoje tenho tempo para reparar nestas coisas.

Porque normalmente tudo nos passa ao lado. As formas, os cheiros, os sons. Hoje na companhia de uma voz inesquecível, olho para o céu e vejo que está mais azul.

Caminho placidamente entre o silêncio e a música. Hoje tenho tempo para perceber melhor o tempo, o espaço e a liberdade. A liberdade de acordar e não ter nada para fazer.

Ainda acabo hoje o livro que estou a ler. Para começar outro, pois claro. 

Hoje, é um dia como tantos outros, mas para mim tem uma paz especial, porque posso fazer aquelas coisas, para as quais me desculpo sempre por não ter tempo.

O tempo está naquilo a que nos prestamos a fazer. E uma música, um livro, uma paisagem, o vento a roçar-nos na face… podem parecer insignificantes, mas são afinal aquelas “pequenas” coisas que nos dizem que vale a pena andar por cá.

 

Quando o teu rosto

se debruçou sobre a minha vida sem viço

a princípio apenas compreendi

a pobreza daquilo que possuo.

Depois, a sua luz sobre os bosques, os rios, o mar,

marcou a minha entrada no mundo cheio de cor,

o mundo onde eu ainda não tinha entrado.

Tenho tanto medo, tenho tanto medo,

que este nascer do sol inesperado se acabe,

que as revelações e as lágrimas e a emoção se acabem.

Não o combato, o meu amor é este medo,

eu, que nada posso acalentar, acalento este receio,

desajeitado guardião do amor.

O medo cerca-me por todos os lados.

Tenho consciência de que estes minutos são breves

e de que as cores que iluminam os meus olhos

desaparecerão quando o sol do teu rosto

desaparecer no ocaso.

Yevgeny Yevtushenko

 

(Para mim isto é magia, para mim isto é um mar de silêncio. Aquele que encontro na voz de Eddie Vedder) 

She said to me, over the phone
she wanted to see other people
i thought, “well then, look around, they’re everywhere”
said that she was confused…
i thought, “darling, join the club”
24 years old, mid-life crisis
nowadays hits you when you’re young
i hung up, she called back, i hung up again
the process had already started
at least it happened quick
i swear, i died inside that night
my friend, he called
i didn’t mention a thing
the last thing he said was, “be sound”
sound…
i contemplated an awful thing, i hate to admit
i just thought those would be such appropriate last words
but i’m still here
and small
so small.. how could this struggle seem so big?
so big…
while the palms in the breeze still blow green
and the waves in the sea still absolute blue
but the horror
every single thing i see is a reminder of her
never thought i’d curse the day i met her
and since she’s gone and wouldn’t hear
who would care? what good would that do?
but i’m still here
so i imagine in a month…or 12
i’ll be somewhere having a drink
laughing at a stupid joke
or just another stupid thing
and i can see myself stopping short
drifting out of the present
sucked by the undertow and pulled out deep
and there i am, standing
wet grass and white headstones all in rows
and in the distance there’s one, off on its own
so i stop, kneel
my new home…
and i picture a sober awakening, a re-entry into this little bar scene
sip my drink til the ice hits my lip
order another round
and that’s it for now
sorry
never been too good at happy endings…

Eddie Vedder

Pode ser que um dia deixemos de nos falar…
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe…
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos…
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.
Pode ser que um dia não mais existamos…
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe…
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Albert Einstein

Christopher McCandless quotes:

“I read somewhere… how important it is in life not necessarily to be strong… but to feel strong.”

“So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more dangerous to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man’s living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun.”

“Some people feel like they don’t deserve love. They walk away quietly into empty spaces, trying to close the gaps of the past.”

“The core of mans’ spirit comes from new experiences.”

“If we admit that human life can be ruled by reason, then all possibility of life is destroyed.”

“Rather than love, than money, than faith, than fame, than fairness… give me truth.”

“…henceforth will learn to accept my errors, however great they be…”

“I have had a happy life and thank the Lord. Goodbye and may God bless all!”
 

“Happiness is not real unless it is shared…”

Into the wild – Eddie Vedder

1. Setting Forth

2.No Ceiling

3. Far Behind

4. Rise

5.Long Nights

6.Tuolumne

7.Hard Sun

8.Society

9.The Wolf

10.Guaranteed  


 And I wished for so long, cannot stay…
All the precious moments, cannot stay…
It’s not like wings have fallen, cannot stay…
But I feel something’s missing, cannot say…

We all walk the long road. Cannot stay…
There’s no need to say goodbye…
All the friends and family
All the memories going round, round, round, round
I have wished for so long
How I wish for you today

We all walk the long road. Cannot stay…
There’s no need to say goodbye…
All the friends and family
All the memories going round, round, round, round
I have wished for so long
How I wish for you today
How I’ve wished for so long
How I wish for you today

We all walk the long road

We all walk the long road

We all walk the long road…

(Esta banda sonora faz parte de um dos meus filmes preferidos “Dead man walking”, cantada por  Nusrat fateh ali Khan e Eddie Vedder.)

Há uma palavra que define algo que consiste no conjunto de tradições, usos e costumes de uma comunidade académica: Praxe. Fortemente ligada ao conceito de Praxe Académica, está a tradição de integrar os caloiros na sua nova escola e nos próprios costumes, pelo que a praxe tem também um ritual iniciático fortemente hierarquizado. Esta ligação é forte de tal modo que por muitas vezes se confunde o conceito de Praxe, que é o conjunto de todas as tradições e rituais com o de “gozo ao caloiro”.

Isto é a definição que está patente na wikipédia.

Agora… pergunto: quem são estes senhores e senhoras que se auto-intitulam “doutores” ?Devem ser uns gajos importantes. Devem sofrer de uma síndrome qualquer de complexo de superioridade ou qualquer coisa assim.

Sou definitivamente contra as praxes. Sejam elas feitas de que forma forem, mas aquelas que atentam contra a dignidade do comum dos mortais (caloiros), deviam ser proibidas. Especialmente se forem violentas. 

Esperem lá… será que os pseudo – doutores são na realidade uns frustrados? Será que têm tendências egocêntricas, exibicionistas?  Será que gostam de ver a humilhação dos outros, porque também foram humilhados? Ou são simplesmente parvos?

Há muitos anos atrás vi uns caloiros a simularem serem animais da quinta e a comerem a erva de um jardim. (Até tinha graça se não fosse tão real.) Desde que vi, sinto um profundo desprezo por estes senhores e senhoras que fazem da praxe uma forma de humilhação com um ser humano tão bom ou melhor que eles. Tão inteligente ou mais que eles. Pois não é inteligência passar a vida (décadas) na faculdade, a gastar o dinheiro de quem os sustenta e a ingerirem liquídos com conteúdo alcoólico que nem uns… bêbedos? Tenham bom senso.

Nem compreendo como algumas pessoas se sujeitam a certas praxes. Por muito menos, agiriam bruscamente, então porque permitem ser humilhados por uns gajos/as que nunca viram na vida? Porque consentem práticas que podem mesmo ser crime?

Claro que generalizo a minha crítica. Mas sei que no meio destas “manadas” de tontos, há excepções. E são altruístas aqueles que não fazem por os outros fazerem, se isso vai contra os seus princípios. Porque normalmente, as pessoas fazem por ver fazer. Mesmo que seja contra a sua vontade.

 Nunca fui praxada, nunca o permitiria. E podem pensar que sou puritana ou demasiado rigída. Não… porém esta situação das praxes é algo porque nutro profundo desprezo. Como por tantas outras atitudes humanas, que por serem tão degradantes são por isso mesmo escusadas.

Todos os portugueses sabem que a nossa língua é muito traiçoeira. E se algum estrangeiro tentar traduzir algumas expressões ditas por cá, fica no mínimo, espantado.

A língua portuguesa é muito rica em expressões que não são compreendidas pelo comum dos mortais, nem mesmo por alguns portugueses. Estes dizeres devem ter um significado directo. Mas dizemo-los, sem fazermos ideia do seu porquê ou do seu significado, em nome da tradição, ou da repetição… porque certamente já o ouvimos em algum lado.

Vejamos:

“Querias… batatas com enguias!” – Batatas com enguias? Será um gosto gastronómico duvidoso? Era algo que numa qualquer altura e num lugar qualquer era bom? Mau? 

“Ficaste com a pulga atrás da orelha.” - Claro que não está lá nenhum bichinho. Ficamos a pensar que algo não está bem. Temos dúvidas.

“Fizeste uma tempestade num copo de água” – não são ondas assustadoras num recipiente de vidro. Pensaste o pior, chateaste-te com pouco.

“Meteste os pés pelas mãos” – Não é ginástica, não senhor. É mesmo atrapalhação.

“Fizeste um negócio da China” – Da China? Será porque eles por lá são bons a fazer negócios? Deve ser… não vejo outra explicação.

“Está de pés para a cova” – Esta tem lógica. Cova, buraco, enterro, morte. Estar a morrer.

“Vai desta para melhor” – Significa o mesmo que a anterior, com outra genial ironia.  

“Estás à espera da mulher da fava-rica?” – Mas “que raio” será ficar á espera desta misteriosa senhora? Será que era agricultora e plantava favas? Que eram ricas? Já agora “vai á fava” é mandar alguém “dar uma volta ao bilhar grande”. Percebem?

“Estás à espera da morte da bezerra?” – é como esperar, como desculpa para não fazer nada. Mas… a morte do animalzinho, coitado.

“Nasceste com o rabo virado para a lua!”  - Como é que é? Porque “carga de água” há-de um rabo virado para a lua significar sorte? Mistério…

“Hoje acordaste com os pés de fora.” – Apanhaste frio nos pés, logo estás mal disposto. Será?

 “Estou-me nas tintas!” – O que será isto? Estar nas tintas? Não compreendo porque significa ser indiferente, não querer saber.

“Vai pentear macacos.” – Hahahaha…. esta é boa. Vai fazer qualquer coisa?

“Vai á caça dos gambuzinos.” – Se calhar estou a constatar a minha ignorância quando pergunto a mim mesma: isso existe?

Estas são apenas algumas expressões de que me lembro. E sei que cada cultura, cada país, deve ter as suas. As nossas são irónicas e interessantes.

Aqui ficam como curiosidade.

O que te posso dizer se não me ouves? O que te posso mostrar se não vês? Outra vez e mais do mesmo.  Sabes qual a diferença da indiferença, o mais próximo da distância, o mais surreal da imaginação?

   Sabes porque e quando choro por dentro e nem perguntas porquê. Sabes que os dias são sempre iguais e que cada vez que hesitamos damos um passo para lado nenhum. Conheces-me bem por dentro. Afinal já lá vão tantas horas, tantos dias. Quantas vezes rimos, choramos, sonhamos juntos? Quantas vezes tiveste medo, tiveste esperança, tiveste tudo e não tiveste nada.  De todas as vezes que ouvimos a mesma música, de todas as vezes que cantamos a mesma letra. De todas as vezes que sorrimos apenas por não haver mais lágrimas, sempre que o silêncio emudecia as palavras.  E foram muitos os silêncios, que gritavam nos ouvidos. Um eco mudo repetindo-se. Quantas vezes calamos por querermos falar, quantas vezes gritamos mudos. Quantas vezes dissemos que sim e juramos que não. Sabes que para sempre é muito tempo e que eterno é o nada. Sabes que o sonho domina a vida e que vamos sempre sonhar. E que cada palavra esquecida é um pouco mais de abandono. E o silêncio é o teu e o meu mar. Quantas palavras precisas para perceberes que o meu silêncio é o teu. Quantas estrelas temos de contar para vermos uma cadente. E pedir tudo ou não pedir nada. Sabes que te acompanho sem olharmos para a mesma lua. Que te deixo se quiseres. Quantas vezes demasiado depressa esperamos. Quantas vezes falamos e calamos as palavras…até agora, até ao fim do mundo. Até que possamos ficar assim, neste mar de silêncio.