Não sei porque estou a pensar nisto agora. Deixei de querer encontrar uma razão. Se é que ela existe. Não compreendo o que aconteceu para estarmos assim, aqui, agora.
Não me digas que perdeste a capacidade de sonhar – dizes-me tu.
Não… essa capacidade não se perde, é apenas a banalidade da vida a fazer-nos esquecer.
Que cara é essa?
Qual cara?
Essa, a tua.
É esta, a minha. A única que tenho.
Não, tu sabes sorrir. Ficas diferente. É do olhar… tu sabes.
O que vês ou o que não consegues ver?
Quem me conhece demasiado bem, não precisa das minhas palavras para perceber como estou. Sabes quando te ris e estás a chorar por dentro?
É isso mesmo. Quem me conhece diz que tenho um olhar triste a contrastar com um sorriso nos lábios. E eu sei sem deixar ninguém compreender. A vida é mesmo assim, deixamos passar tudo ao lado. Dizemos adeus ao que mais queremos e encontramo-nos todos os dias com o que dispensávamos perfeitamente.
Perdeste a capacidade de sonhar.
Não… estou apenas distraída.
Esqueci-me do que diz o poeta : “o sonho comanda a vida…”
Vá lá. Tu sabes que sim. Que o sonho comanda a vida. Só não nos esforçamos muito por o alcançar.
Olha… ficas comigo, mesmo que não estejas aqui?
E podia eu ficar noutro lado?…