Arquivos Mensais: Setembro 2008
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.Já fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
quando nunca pensei me decepcionar,
mas também já decepcionei alguém.
Já abracei para proteger,
já ri quando não podia,
fiz amigos eternos, amei e fui amada,
mas também já fui rejeitada,
fui amada e não amei.
Já gritei e saltei de felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
desiludi-me muitas vezes!
Já chorei a ouvir música e a ver fotografias,
já telefonei só para ouvir uma voz,
já me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de saudades,
já tive medo de perder alguém especial
(e perdi…)!
Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida…
Bom mesmo é ir á luta com determinação,
abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é muito para ser insignificante!
Chaplin
Absurdo
(…)
Estabelecer teorias, pensando-as paciente e honestamente, só para depois agirmos contra elas – agirmos e justificar as nossas acções com teorias que as condenam. Talhar um caminho na vida, e em seguida agir contrariamente a seguir por esse caminho. Ter todos os gestos e todas as atitudes de qualquer coisa que nem somos, nem pretendemos ser, nem pretendemos ser tomados como sendo.
Comprar livros para não os ler; ir a concertos nem para ouvir a música nem para ver quem lá está; dar longos passeios por estar farto de andar e ir passar dias no campo só porque o campo nos aborrece.
(…) Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir, qualquer coisa que faça não pensar. (…)
(…) A vida é para nós o que concebemos nela. Para o rústico cujo campo próprio lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar’ a realidade da nossa vida.
Isto não vem a propósito de nada. (…)
(…) Assim se passam dias sobre dias, nem sei dizer quanto da minha vida, se somasse, se não haveria passado assim. As vezes ocorre-me que, quando dispo esta paragem de mim, talvez não esteja na nudez que suponho, e haja ainda vestes impalpáveis a cobrir a eterna ausência da minha alma verdadeira; ocorre-me que pensar, sentir, querer também podem ser estagnações, perante um mais íntimo pensar, um sentir mais meu, uma vontade perdida algures no labirinto do que realmente sou. (…)
(…) Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também. (…)
(…)Um raio de sol, uma nuvem que a sombra súbita diz que passa, uma brisa que se ergue, o silêncio que se segue quando ela cessa, um rosto ou outro, algumas vozes, o riso casual entre elas que falam, e depois a noite onde emergem sem sentido os hieróglifos quebrados das estrelas.(…)
(…)Há um grande cansaço na alma do meu coração. Entristece-me quem eu nunca fui, e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. Caí contra as esperanças e as certezas, com os poentes todos. (…)
(…) … a tristeza solene que habita em todas as coisas grandes – nos píncaros como nas grandes vidas, nas noites profundas como nos poemas eternos. (…)
(…) Adoramos a perfeição, porque a não podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é o desumano, porque o humano é imperfeito. (…)
(…) Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.
Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os senti-los se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se entrepenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde. (…)
(…)Mas as paisagens sonhadas são apenas fumos de paisagens conhecidas e o tédio de as sonhar também é quase tão grande como o tédio de olharmos para o mundo.(…)
Sinfonia da noite inquieta
(…)Tudo é dos outros, salvo a mágoa de o não ter.(…)
Fernando Pessoa – O livro do desassossego
” Se eu pudesse, agarrava-te todos os dias nos meus braços, cantava-te músicas de embalar até fechares os olhos, lia-te histórias e inventava-lhes o fim, deitava-te nos meus braços e esperava que adormecesses, entrava nos teus sonhos e pintava-os de cores e sons perfeitos (…) “
Margarida Rebelo Pinto
“Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o actor de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam.”
O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
(Para quem gosta de lêr: Descobri este livro e recomendo-o. Fala da perfeição, da imortalidade, da juventude eterna e outras impossibilidades.)
Não gosto de meias palavras.
Prefiro o silêncio aos gritos ensurdecedores das pessoas com quem tenho de falar e que não me dizem nada. Não gosto de engolir palavras que não mereço, nem de desculpas esfarrapadas. Não gosto de pessoas que só querem o que não têm e quando têm o que querem, não sabem do que gostam. Não gosto de ouvir, talvez, não sei, sei lá, depois vê-se, tem paciência.
Não gosto que me peçam desculpa. Não gosto que me prometam e não cumpram, de encontros desmarcados e de esperas infinitas.
Não gosto de gritos, de confusões, de gestos teatrais e dramatismos. Não gosto de intrigas e de histórias mal contadas, não gosto de meias verdades.
Não gosto de palavras sem sentido e de falar por falar. Não gosto que falem comigo e não me olhem nos olhos. Não gosto de palavras arrastadas e de segredos mal guardados.
Não gosto de pessoas que andam de nariz empinado e se acham melhores que os outros. Que pensam que sabem tudo e que falam com arrogância, que têm um ar de gozão, mas que choram por dentro.
Não gosto de perder tempo, prefiro gastá-lo com o que mais gosto.
Não gosto de maquilhagem, nem de permanentes no cabelo. Não gosto de rimél nem baton. Não gosto de cores berrantes nem mini saias. Não gosto de brincos nem de anéis. Não gosto do dito por o não dito e de tudo o que é malfeito.
Não gosto de fado nem de música clássica. Não gosto de “rap”, nem de “house”, não gosto de discotecas nem de pessoas que precisam de álcool para se divertiram. Não gosto de música comercial nem de vozes que não sabem cantar. Não gosto de agudos e desafinações.
Não gosto de lágrimas de crocodilo nem de sorrisos amarelos.
Não gosto de revistas cor-de-rosa, nem da côr sequer. Não gosto de telenovelas nem talk-shows, não gosto de intervalos maiores que os filmes. Não gosto do que não tem sentido.
Não gosto de pessoas que falam mansinho ao chefe e levantam a voz à mulher da limpeza. Não gosto de pessoas que sabem que não têm razão e ainda assim não o admitem.
Não gosto de não poder acreditar nas outras pessoas nem de voltar atrás na palavra e ainda menos que voltem atrás comigo.
Não gosto de pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins. Não gosto de quem não gosta de um animal. Não gosto de pessoas que só vêm o seu lado e que esquecem todos os outros. Não gosto quando não dizem que gostam de mim, quando o sentem na realidade. Não gosto de ter saudades daquilo que gosto. Não gosto que se esqueçam dos meus anos, nem de mim, mas principalmente não gosto que quando esquecida, não me guardem num lugar do coração.
Imagina que estamos a falar. A falar em voz baixa, porque quando queremos que acreditem nas nossas palavras falamos sempre mais baixo. Escreve-se porque ninguém ouve. Mas basta sentir a palavra como se fosse dita.
Deixa lá, também não faz mal, assim as palavras não quebram o silêncio.
Conheces o jogo do dominó?
Tu sabes que a vida é como um jogo. De dominó. Passa-se horas, dias, meses, anos a construir aquilo a que chamamos sonhos e que não passam da nossa realidade e, num instante tudo se desfaz e desmorona, como num jogo de dominó.
Eu tenho um dominó. E quando uma peça começa a cair, junto mais peças na cauda e depois com muita calma começo a juntar tudo outra vez. Isto pode ser transformar problemas em soluções, desalentos em força para continuar, lágrimas em sorrisos.
A vida é um mistério e tentar desvendá-lo é um erro. Não se deve pensar no futuro, devemos abstrair-nos e partir do príncipio que tudo acontece por uma razão e tudo tem uma razão de ser. Ou não…
O silêncio toma-me os dias e todos os dias tento aprender a viver com ele. Já me cansei das palavras, dos gritos e das supostas verdades que desconheço.
O dominó da vida ensina que é mais fácil desistir que esperar, que é mais fácil esquecer do que desejar, que é muito mais fácil perder do que sonhar, mas:
”Para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver”.
Yet each men kills the thing he loves,
By each let this be heard,
Some do it with a bitter look,
Some with a flattering word.
The coward does it with a kiss,
The brave man with a sword!
Some kill their love when they are young
And some when they are old;
Some strangle with the hands of Lust,
Some with the hands of Gold:
The kindest use a knife, because
The dead so soon grow cold.
Some love too little, some too long,
Some sell, and others buy;
Some do the deed with many tears,
And some without a sigh:
For each men kills the thing he loves,
Yet each man does not die.
Oscar Wilde





